UMA DICA DO 3º SETOR DIGA NÃO À PESCA PREDATÓRIA

Geralmente os assuntos que afetam mais vidas não estão nas primeiras páginas dos jornais. Esse mês nós temos a oportunidade de fazer algo sobre um deles: a crise pesqueira global.

Pescadores de pequeno porte estão pegando cada vez menos peixes por causa da pesca predatória massiva de frotas de navios pesqueiros altamente equipados. A grande causa são os bilhões de dólares em subsídios dados a essas frotas pelos países ricos. O resultado é uma concorrência desleal na indústria pesqueira e o esgotamento da população de peixes á níveis assustadores.

Em setembro a Organização Mundial do Comércio(OMC) vai liberar um novo tratado de pesca global. Essa é a nossa chance de agir. Agora mesmo a OMC está consultando os Ministros das Relações Exteriores/Ministro de Negócios Estrangeiros para decidir essas regras. A Avaaz está mobilizando sua rede global para as pessoas enviarem uma mensagem aos seus respectivos ministros para apoiar um sistema pesqueiro melhor de preservar nossos oceanos para futuras gerações.

Clique aqui para enviar uma mensagem para seu ministro pedindo que ele defenda o comércio justo e sustentável (você pode enviar o nosso modelo ou escrever sua própria mensagem):
http://www.avaaz. org/po/make_ fishing_fair/ ?cl=16450635

Um estudo recente descobriu que 90% dos peixes grandes como o atum e o peixe-espada já desapareceram. As grandes frotas comerciais dos países desenvolvidos não pescam só em alto mar mas também na costa dos países em desenvolvimento, literalmente roubando o sustento de comunidades pesqueiras que sobrevivem da pesca.

Na semana passada o Dr. Francis K. E. Nunoo, um cientista de Gana colheu o seguinte depoimento de um pescador local:

"Há dez anos atrás, durante o pico da temporada de pesca, eu enchia meu barco com um único lançamento da rede. Recentemente nós temos que lançar a rede 7 vezes antes de encher o mesmo barco. A situação está piorando a cada ano."

A OMC é governada por seus 151 países membros, e temos membros da Avaaz em cada um desses países. Portanto se agirmos juntos vamos ter a incrível oportunidade de influenciar a nova regulamentação global de subsídios pesqueiros. A OMC estará elaborando essa proposta nas próximas semana, portanto precisamos espalhar essa mensagem rápido.

http://www.avaaz. org/po/make_ fishing_fair/ ?cl=16450635

A crise da pesca é um exemplo de como o sistema de comércio internacional apresenta sérias desvantagens tanto para as populações de países em desenvolvimento como para o meio ambiente. Juntos podemos lutar por políticas e regulamentos que equilibrem o lucro econômico com um balanço sócio-ambiental justo.

Ajude a espalhar a mensagem

Com esperança,

Ben, Graziela, Ricken, Paul, Iain e toda a equipe Avaaz

 

Vamos lutar pela valorização do Povo Karajá 


Carta revela como morreu índio Karajá

Essa matéria do jornal O Popular, de Goiânia, explica o que aconteceu que resultou na morte do índio Karajá Ijehederi, aos 27 anos, vítima de um espancamento acontecido em São Paulo, quando visitava amigos Guarani, na Terra Indígena Parelheiros.

A matéria é muito compreensiva e vale a pena ler. Dá tristeza ver o que aconteceu, esse tipo de tragédia fruto da discriminação que os brancos ainda têm em relação a índios. Até mesmo em São Paulo.

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Carta revela como foi agressão a índio

Ijehederi Karajá morreu na quinta-feira no Hugo. Ele foi agredido por dois homens em aldeia de São Paulo, quando tentou defender um índio guarani

Marília Assunção, Rosana Melo e Carla Oliveira

O índio Ijehederi Karajá, de 27 anos, que morreu na quinta-feira no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), foi agredido por dois homens homens dentro da aldeia indígena Tenonde Porã, dos índios Guarani M'Bya, em Parelheiros (SP). A informação é da pedagoga Waxiaki Karajá, 24, prima da vítima. Ela acompanhou o primo nos seus últimos momentos e ouviu dele a história, que foi revelada ontem em uma carta de próprio punho, endereçada à Fundação Nacional do Índio (Funai), à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público, à qual O POPULAR teve acesso.

O administrador Regional da Funai em Goiás, Edson Beiriz, esperava ontem que a Polícia Federal (PF) de São Paulo começasse a investigar logo dois suspeitos de serem os autores - os homens estavam batendo em um índio guarani quando Ijehederi chegou e tentou impedir, passando a ser o alvo dos agressores. "Já temos os nomes prováveis desses homens, mas vamos resguardar os detalhes para não prejudicar a investigação", afirmou Edson, que afirma desconhecer, por enquanto, os motivos das agressões aos dois índios.

Hoje, no início do dia, o corpo de Ijehederi Karajá segue para a aldeia Santa Isabel do Morro, em São Félix do Araguaia (MT), em um avião fretado pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Um ritual fúnebre da cultura carajá será realizado antes do enterro. A autópsia do Instituto Médico-Legal (IML) que confirmou que a causa da morte foi traumatismo crânio-encefálico. O procedimento foi autorizado pela prima.

Na carta que pede providências às autoridades, assinada por vários índios carajás e xavantes, Waxiaki Karajá, relata que ouviu do primo que após a agressão ele se recolheu em casa por uma semana. Como sentia muitas dores, acabou pedindo a um amigo para ajudá-lo a vir para Goiânia, o que fez sozinho.

Sozinho

Ontem, além de entregar a carta aos endereçados, Waxiaki foi ouvida pelo delegado Kleyton de Oliveira Alencar, da Delegacia de Investigações de Homicídios. Diretora na escola da Aldeia Santa Isabel do Morro, na Ilha do Bananal, de onde também era a vítima, Waxiaki disse que estava em Goiânia acompanhando a mãe em um tratamento médico no dia 21 quando o primo chegou de ônibus, sozinho, de São Paulo e contou como foi agredido.

Ijehederi cursava faculdade de Educação Física na Universidade Santo Amaro (Unisa), havia três anos na capital paulista. Ele tinha ido a Parelheiros visitar um amigo Guarani. Segundo ela, Ijehederi desceu do ônibus no local e viu um índio da aldeia alcoolizado sendo espancado por dois homens brancos.

Ela contou que o primo disse ter tentado socorrer o guarani, mas acabou atacado também pelos dois homens até que um outro índio da aldeia chegou e conseguiu socorrê-los. Ela não soube dizer os nomes dos guaranis. "Com essa informação fica mais fácil chegar ao outro índio atacado e tentar identificar os agressores", explicou o delegado.

Quando chegou a Goiânia, Ijehederi Karajá foi para a Casa de Saúde do Índio (Casai), no Jardim Bela Vista, e encaminhado ao Centro de Referência em Oftalmologia (Cerof), do Hospital das Clínicas (HC), da Universidade Federal de Goiás (UFG), onde foi feita uma avaliação e marcado retorno para o dia 25. Durante a noite, de volta à Casai, ele teve convulsões e foi internado no Hugo, submetido a exames e transferido para o Hospital São Domingos, de onde, segundo o diretor-geral, Álvaro Soares de Melo, saiu sem convulsões, consciente e caminhando sozinho na manhã do dia 27. Ele passou o dia todo na Casai, mas teve novas convulsões e voltou a ser internado no Hugo, onde morreu por volta das 10 horas de quinta-feira.

O delegado Kleyton de Oliveira Alencar disse que a Polícia Civil de São Paulo já foi comunicada do depoimento de Waxiaki Karajá e já está fazendo buscas para saber se tem alguma ocorrência registrada da agressão sofrida pelos dois índios, além de tentar localizar a outra vítima do espancamento.

Já o administrador da Funai pontuou que o caso precisa ser repassado à PF por força da jurisdição da União sobre questões indígenas. "Também temos de acionar o Ministério Público Federal e a Procuradoria Geral da Funai", acrescentou Edson Beiriz.

Líder carajá lamenta violência nas cidades

O coordenador-geral da Organização Carajá, que reúne 14 aldeias da Ilha do Bananal em Goiás e no Mato Grosso, Samuel Karajá, afirmou ao POPULAR ontem que, nesses três anos em que Ijehederi estudava Educação Física em São Paulo, ele nunca tinha reclamado de discriminação. "O que queremos é que encontrem os culpados e que eles paguem por isso", declarou o coordenador. Samuel Karajá disse que a família de Ijehederi estava muito abalada, sem condição de falar com a imprensa. O coordenador comentou que a violência, como a praticada contra Ijehederi Karajá, está virando rotina em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, citando o caso recente da empregada doméstica carioca, agredida por jovens enquanto esperava no ponto de ônibus.

Guarani M'Bya

Os índios Guarani M'Bya habitam há séculos a região do bairro de Parelheiros em São Paulo, escolhida pelos antepassados para descansar durante as trilhas feitas nas visitas a parentes no interior do território ou quando retornavam às aldeias no litoral. A área foi declarada de ocupação indígena em abril de 1987. Segundo a Associação Guarani da Aldeia Tenonde Porã, entre 550 e 600 índios habitam a área de 25,88 hectares contínuos. Conforme o site da associação, na aldeia existe um posto de saúde da Funasa, um centro cultural, uma escola estadual e outra da prefeitura.

Escrito por Mércio Pereira Gomes às 10h32
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EXPERIÊNCIA VIVA DO INDIO ENY KARAJÁ
História do povo Carajá


EXPERIÊNCIA VIVA DO INDIO ENY KARAJÁ



1922 – Região Centro Oeste do Brasil, nasce mais um ser humano, Xambioá, Tapirapé de Anápolis no Estado de Goiás passando por Leopoldina/GO às margens do Rio Araguaia, na Ilha do Bananal, não posso certificar com maiores detalhes, mas faço parte viva da nação que este ser humano construiu. Filho de índios da Tribo Karajá, ficou órfão aos oito anos de idade, buscou sobreviver à própria sorte, sempre tendo como base primordial da vida, a luta pela preservação e garantia dos Direitos Humanos, por se enxergar um homem igual aos demais, que habitavam a grande metrópole de Minas Gerais.


Este ser humano, é um legítimo Carajá da tribo de mesmo nome, de Luciara-MT, ilha do Bananal, divisa com Goiás, hoje emancipada como Estado do Tocantins, foi praticamente abandonado pelo próprio destino, não teve convivência prolongada com irmãos, sua família era heterogênea e tinha a partilha como parte central do culto a seus superiores ao Deus Tupã, que é o mesmo Deus de todos os homens, ocorreram diferenças de pensamento entre eles, pois não se concebendo exploração, e dominação, ali ainda existentes, esse ser ainda novo definiu seu rumo, e, abandonou a tribo, em busca de sorte e de vida, órfão, sem lar, tido como fugitivo, como se tivesse certeza do que fazia, entrou mata adentro e foi conhecer o mundo que referimos como selvagem, e com sua coragem de lutador, começou-se a construir sua própria história, vivia da caça e da pesca e teve que mudar seus hábitos alimentares, encontrou várias pessoas pelas estradas que o estranhavam o seu jeito e sua forma de conversar, começou a trabalhar em postos de gasolina, lavando, lubrificando até ser contratado como borracheiro, após toda esta luta se qualificando profissionalmente, foi contratado como motorista de caminhão do posto de gasolina. Sempre dedicado ao serviço, mostrando na prática que o índio deveria ser valorizado dentro ou fora da tribo,pois sempre foi intransigente na luta pelo reconhecimento dos direitos dos povos indígenas. Carajá presenciou inúmeras piadas e historinhas que os "homens brancos" repassavam aos povos como forma de colocá-los em revistas em quadrinhos, que o índio sempre foi selvagem, rebelde, as tribos se confrontam, massacrando índios, pelas mãos dos próprios índios, tentando nos impor a idéia de que para acabar com as nações indígenas, basta assistir calados a briga entre eles e de vez em quando distribuir alguns litros de cachaça entre eles, pois assim se consegue que eles fiquem mais mansos e domináveis.

Este ser humano mostrou-se totalmente contrário aos ensinamentos das escolas, foi para a luta e aos dezoito anos de idade, após sofrer horrores da discriminação, sentou-se pela primeira vez na cadeira de um trator/retro-escavadeira e patrola e mostrou as habilidades do seu conhecimento. Só sei que brilhou no emprego em uma dessas firmas que sugam até a última gota do sangue de quem nelas trabalham e depois os soltam por aí, sem que pelos menos lhe garantir condições de saúde e a continuar sobrevivendo pós-demissão.

Depois de alguns anos Carajá, que por imposição da sociedade e pela própria forma de vida que adquiriu, seus costumes indígenas, só tinha mesmo as lembranças e a saudade dos tempos de infância, pois já encontrava o seu grande desafio, o de construir uma família, encontrou a primeira parceira, isto já no Norte de Minas Gerais, Montes Claros, teve com ela duas filhas, Ana e Virgínia, eram muito apegadas ao pai, mas seu estilo de vida o fez separar da parceira, abandonando o lar e continuando sua caminhada pela vida, sem destino fixo, andou, brincou, divertiu, e se cansou; chegou á Bocaiúva - MG, ainda norte de Minas Gerais, por lá montou suas coisas, começou a trabalhar, conheceu Maria Petronilha Neves, uma mulher negra, de uma gana invejável em relação ao trabalho, com ela foi morar, tendo uma numerosa família, sendo que os dois primeiros filhos de sua Segunda geração, não ficaram para esta vida, foram logo falecer, ficou desempregado, mas não perdeu as esperanças que com carinho cultivava. O emprego não chegava, desesperado ele ficava, não sabia o que fazer e a esposa novamente grávida, a família dela não tinha condições de ajudar, ela muito esforçada, até parece que é combinado, pois desde seus seis anos de idade dona Maria já trabalhava defendia com suor, a alimentação de seus filhos debaixo da repressão e discriminação por ser mulher e negra.. A única coisa que o se ouvia, dizer em sua região é que aqui a pobreza se alastra e que emprego existia de sobra, mas só na capital. Já um pouco descontente, juntou sua família e seguiu pra Belo Horizonte.

Muitas dificuldades, promessa de vida fácil caiu por terra, mas mesmo assim esta família marcou posição em Beagá, em 1962, vieram para a capital, morando em barracas de lonas preta na Vila São Domingos, hoje chamado Bairro Santa Maria. No ano seguinte Carajá e a esposa foram alguns dos lutadores por moradia e ajudaram os moradores do Bairro Cabana do Pai Tomaz, (Região oeste de BH) na ocupação dos terrenos de eucalíptos apropriados indebitamente pelo mega milionário (já falecido) Antônio Luciano Pereira, na ocasião dono da Fayal/S.A

Presente e com opiniões nas lutas em defesa da dignidade do ser humano, este senhor não media esforços para ajudar o próximo, era época de seca, não havia facilidades de água e luz, havia enormes valas nas ruas, nada era urbanizado, muitos eucaliptos, imensas terras ociosas, não havia desânimo, carregavam tambores de água quilômetros de distâncias, para se manterem e ainda ajudava aos que não podiam buscar água. Na busca incessante desse líquido precioso, juntava-se com os moradores para o Culto a Deus, implorando por chuvas, molhavam os pés da cruz de madeira (Cruzeiro R. Centro Social - 280), que fora colocada, onde seria futuramente construída a Capela Nossa Senhora Aparecida, hoje a Comunidade Antena, onde teve a sua participação.

As ocupações de terras eram constantes, muitos levados ás prisões, enquanto a maioria da população eram expulsas do interior. Lamparinas, lampeões que iluminavam os ambientes eram gerados pela queima de querosene distribuído num velho caminhão Ford. O leite era pela mesma forma, era vendido no carro conhecido por "Vaquinha" tudo era natura
O PODER DA MULHER







História do povo Carajá
 

EXPERIÊNCIA VIVA DO INDIO ENY KARAJÁ


1922 – Região Centro Oeste do Brasil, nasce mais um ser humano, Xambioá, Tapirapé de Anápolis no Estado de Goiás passando por Leopoldina/GO às margens do Rio Araguaia, na Ilha do Bananal, não posso certificar com maiores detalhes, mas faço parte viva da nação que este ser humano construiu. Filho de índios da Tribo Karajá, ficou órfão aos oito anos de idade, buscou sobreviver à própria sorte, sempre tendo como base primordial da vida, a luta pela preservação e garantia dos Direitos Humanos, por se enxergar um homem igual aos demais, que habitavam a grande metrópole de Minas Gerais.

Este ser humano, é um legítimo Carajá da tribo de mesmo nome, de Luciara-MT, ilha do Bananal, divisa com Goiás, hoje emancipada como Estado do Tocantins, foi praticamente abandonado pelo próprio destino, não teve convivência prolongada com irmãos, sua família era heterogênea e tinha a partilha como parte central do culto a seus superiores ao Deus Tupã, que é o mesmo Deus de todos os homens, ocorreram diferenças de pensamento entre eles, pois não se concebendo exploração, e dominação, ali ainda existentes, esse ser ainda novo definiu seu rumo, e, abandonou a tribo, em busca de sorte e de vida, órfão, sem lar, tido como fugitivo, como se tivesse certeza do que fazia, entrou mata adentro e foi conhecer o mundo que referimos como selvagem, e com sua coragem de lutador, começou-se a construir sua própria história, vivia da caça e da pesca e teve que mudar seus hábitos alimentares, encontrou várias pessoas pelas estradas que o estranhavam o seu jeito e sua forma de conversar, começou a trabalhar em postos de gasolina, lavando, lubrificando até ser contratado como borracheiro, após toda esta luta se qualificando profissionalmente, foi contratado como motorista de caminhão do posto de gasolina. Sempre dedicado ao serviço, mostrando na prática que o índio deveria ser valorizado dentro ou fora da tribo,pois sempre foi intransigente na luta pelo reconhecimento dos direitos dos povos indígenas. Carajá presenciou inúmeras piadas e historinhas que os "homens brancos" repassavam aos povos como forma de colocá-los em revistas em quadrinhos, que o índio sempre foi selvagem, rebelde, as tribos se confrontam, massacrando índios, pelas mãos dos próprios índios, tentando nos impor a idéia de que para acabar com as nações indígenas, basta assistir calados a briga entre eles e de vez em quando distribuir alguns litros de cachaça entre eles, pois assim se consegue que eles fiquem mais mansos e domináveis.

Este ser humano mostrou-se totalmente contrário aos ensinamentos das escolas, foi para a luta e aos dezoito anos de idade, após sofrer horrores da discriminação, sentou-se pela primeira vez na cadeira de um trator/retro-escavadeira e patrola e mostrou as habilidades do seu conhecimento. Só sei que brilhou no emprego em uma dessas firmas que sugam até a última gota do sangue de quem nelas trabalham e depois os soltam por aí, sem que pelos menos lhe garantir condições de saúde e a continuar sobrevivendo pós-demissão.

Depois de alguns anos Carajá, que por imposição da sociedade e pela própria forma de vida que adquiriu, seus costumes indígenas, só tinha mesmo as lembranças e a saudade dos tempos de infância, pois já encontrava o seu grande desafio, o de construir uma família, encontrou a primeira parceira, isto já no Norte de Minas Gerais, Montes Claros, teve com ela duas filhas, Ana e Virgínia, eram muito apegadas ao pai, mas seu estilo de vida o fez separar da parceira, abandonando o lar e continuando sua caminhada pela vida, sem destino fixo, andou, brincou, divertiu, e se cansou; chegou á Bocaiúva - MG, ainda norte de Minas Gerais, por lá montou suas coisas, começou a trabalhar, conheceu Maria Petronilha Neves, uma mulher negra, de uma gana invejável em relação ao trabalho, com ela foi morar, tendo uma numerosa família, sendo que os dois primeiros filhos de sua Segunda geração, não ficaram para esta vida, foram logo falecer, ficou desempregado, mas não perdeu as esperanças que com carinho cultivava. O emprego não chegava, desesperado ele ficava, não sabia o que fazer e a esposa novamente grávida, a família dela não tinha condições de ajudar, ela muito esforçada, até parece que é combinado, pois desde seus seis anos de idade dona Maria já trabalhava defendia com suor, a alimentação de seus filhos debaixo da repressão e discriminação por ser mulher e negra.. A única coisa que o se ouvia, dizer em sua região é que aqui a pobreza se alastra e que emprego existia de sobra, mas só na capital. Já um pouco descontente, juntou sua família e seguiu pra Belo Horizonte.

Muitas dificuldades, promessa de vida fácil caiu por terra, mas mesmo assim esta família marcou posição em Beagá, em 1962, vieram para a capital, morando em barracas de lonas preta na Vila São Domingos, hoje chamado Bairro Santa Maria. No ano seguinte Carajá e a esposa foram alguns dos lutadores por moradia e ajudaram os moradores do Bairro Cabana do Pai Tomaz, (Região oeste de BH) na ocupação dos terrenos de eucalíptos apropriados indebitamente pelo mega milionário (já falecido) Antônio Luciano Pereira, na ocasião dono da Fayal/S.A

Presente e com opiniões nas lutas em defesa da dignidade do ser humano, este senhor não media esforços para ajudar o próximo, era época de seca, não havia facilidades de água e luz, havia enormes valas nas ruas, nada era urbanizado, muitos eucaliptos, imensas terras ociosas, não havia desânimo, carregavam tambores de água quilômetros de distâncias, para se manterem e ainda ajudava aos que não podiam buscar água. Na busca incessante desse líquido precioso, juntava-se com os moradores para o Culto a Deus, implorando por chuvas, molhavam os pés da cruz de madeira (Cruzeiro R. Centro Social - 280), que fora colocada, onde seria futuramente construída a Capela Nossa Senhora Aparecida, hoje a Comunidade Antena, onde teve a sua participação.

As ocupações de terras eram constantes, muitos levados ás prisões, enquanto a maioria da população eram expulsas do interior. Lamparinas, lampeões que iluminavam os ambientes eram gerados pela queima de querosene distribuído num velho caminhão Ford. O leite era pela mesma forma, era vendido no carro conhecido por "Vaquinha" tudo era natura

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