EXPERIÊNCIA VIVA DO INDIO ENY KARAJÁ
História do povo Carajá
EXPERIÊNCIA VIVA DO INDIO ENY KARAJÁ
1922 – Região Centro Oeste do Brasil, nasce mais um ser humano, Xambioá, Tapirapé de Anápolis no Estado de Goiás passando por Leopoldina/GO às margens do Rio Araguaia, na Ilha do Bananal, não posso certificar com maiores detalhes, mas faço parte viva da nação que este ser humano construiu. Filho de índios da Tribo Karajá, ficou órfão aos oito anos de idade, buscou sobreviver à própria sorte, sempre tendo como base primordial da vida, a luta pela preservação e garantia dos Direitos Humanos, por se enxergar um homem igual aos demais, que habitavam a grande metrópole de Minas Gerais.
Este ser humano, é um legítimo Carajá da tribo de mesmo nome, de Luciara-MT, ilha do Bananal, divisa com Goiás, hoje emancipada como Estado do Tocantins, foi praticamente abandonado pelo próprio destino, não teve convivência prolongada com irmãos, sua família era heterogênea e tinha a partilha como parte central do culto a seus superiores ao Deus Tupã, que é o mesmo Deus de todos os homens, ocorreram diferenças de pensamento entre eles, pois não se concebendo exploração, e dominação, ali ainda existentes, esse ser ainda novo definiu seu rumo, e, abandonou a tribo, em busca de sorte e de vida, órfão, sem lar, tido como fugitivo, como se tivesse certeza do que fazia, entrou mata adentro e foi conhecer o mundo que referimos como selvagem, e com sua coragem de lutador, começou-se a construir sua própria história, vivia da caça e da pesca e teve que mudar seus hábitos alimentares, encontrou várias pessoas pelas estradas que o estranhavam o seu jeito e sua forma de conversar, começou a trabalhar em postos de gasolina, lavando, lubrificando até ser contratado como borracheiro, após toda esta luta se qualificando profissionalmente, foi contratado como motorista de caminhão do posto de gasolina. Sempre dedicado ao serviço, mostrando na prática que o índio deveria ser valorizado dentro ou fora da tribo,pois sempre foi intransigente na luta pelo reconhecimento dos direitos dos povos indígenas. Carajá presenciou inúmeras piadas e historinhas que os "homens brancos" repassavam aos povos como forma de colocá-los em revistas em quadrinhos, que o índio sempre foi selvagem, rebelde, as tribos se confrontam, massacrando índios, pelas mãos dos próprios índios, tentando nos impor a idéia de que para acabar com as nações indígenas, basta assistir calados a briga entre eles e de vez em quando distribuir alguns litros de cachaça entre eles, pois assim se consegue que eles fiquem mais mansos e domináveis.
Este ser humano mostrou-se totalmente contrário aos ensinamentos das escolas, foi para a luta e aos dezoito anos de idade, após sofrer horrores da discriminação, sentou-se pela primeira vez na cadeira de um trator/retro-escavadeira e patrola e mostrou as habilidades do seu conhecimento. Só sei que brilhou no emprego em uma dessas firmas que sugam até a última gota do sangue de quem nelas trabalham e depois os soltam por aí, sem que pelos menos lhe garantir condições de saúde e a continuar sobrevivendo pós-demissão.
Depois de alguns anos Carajá, que por imposição da sociedade e pela própria forma de vida que adquiriu, seus costumes indígenas, só tinha mesmo as lembranças e a saudade dos tempos de infância, pois já encontrava o seu grande desafio, o de construir uma família, encontrou a primeira parceira, isto já no Norte de Minas Gerais, Montes Claros, teve com ela duas filhas, Ana e Virgínia, eram muito apegadas ao pai, mas seu estilo de vida o fez separar da parceira, abandonando o lar e continuando sua caminhada pela vida, sem destino fixo, andou, brincou, divertiu, e se cansou; chegou á Bocaiúva - MG, ainda norte de Minas Gerais, por lá montou suas coisas, começou a trabalhar, conheceu Maria Petronilha Neves, uma mulher negra, de uma gana invejável em relação ao trabalho, com ela foi morar, tendo uma numerosa família, sendo que os dois primeiros filhos de sua Segunda geração, não ficaram para esta vida, foram logo falecer, ficou desempregado, mas não perdeu as esperanças que com carinho cultivava. O emprego não chegava, desesperado ele ficava, não sabia o que fazer e a esposa novamente grávida, a família dela não tinha condições de ajudar, ela muito esforçada, até parece que é combinado, pois desde seus seis anos de idade dona Maria já trabalhava defendia com suor, a alimentação de seus filhos debaixo da repressão e discriminação por ser mulher e negra.. A única coisa que o se ouvia, dizer em sua região é que aqui a pobreza se alastra e que emprego existia de sobra, mas só na capital. Já um pouco descontente, juntou sua família e seguiu pra Belo Horizonte.
Muitas dificuldades, promessa de vida fácil caiu por terra, mas mesmo assim esta família marcou posição em Beagá, em 1962, vieram para a capital, morando em barracas de lonas preta na Vila São Domingos, hoje chamado Bairro Santa Maria. No ano seguinte Carajá e a esposa foram alguns dos lutadores por moradia e ajudaram os moradores do Bairro Cabana do Pai Tomaz, (Região oeste de BH) na ocupação dos terrenos de eucalíptos apropriados indebitamente pelo mega milionário (já falecido) Antônio Luciano Pereira, na ocasião dono da Fayal/S.A
Presente e com opiniões nas lutas em defesa da dignidade do ser humano, este senhor não media esforços para ajudar o próximo, era época de seca, não havia facilidades de água e luz, havia enormes valas nas ruas, nada era urbanizado, muitos eucaliptos, imensas terras ociosas, não havia desânimo, carregavam tambores de água quilômetros de distâncias, para se manterem e ainda ajudava aos que não podiam buscar água. Na busca incessante desse líquido precioso, juntava-se com os moradores para o Culto a Deus, implorando por chuvas, molhavam os pés da cruz de madeira (Cruzeiro R. Centro Social - 280), que fora colocada, onde seria futuramente construída a Capela Nossa Senhora Aparecida, hoje a Comunidade Antena, onde teve a sua participação.
As ocupações de terras eram constantes, muitos levados ás prisões, enquanto a maioria da população eram expulsas do interior. Lamparinas, lampeões que iluminavam os ambientes eram gerados pela queima de querosene distribuído num velho caminhão Ford. O leite era pela mesma forma, era vendido no carro conhecido por "Vaquinha" tudo era natura
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BRASIL, Sudeste, Belo Horizonte, Cabana, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese, Guarani, Música, Esportes de aventura MSN -
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